Área Restrita

30/08/2010

Custo BH reduz gasto de empresa

Nem mesmo a forte valorização dos imóveis, trânsito intenso e escassez de mão de obra em alguns setores da economia impedem que Belo Horizonte ainda seja considerada, por muitas empresas, a capital ideal para a manutenção da sede administrativa dos negócios. Com aluguéis, custo de vida e de pessoal ainda muito inferiores aos das grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, BH mantém a sede de grandes empresas, que já expandiram a atuação para todo território nacional. Caso da construtora MRV, com empreendimento imobiliários em mais de 85 cidades do país. Somente este ano, a gigante do setor de construção civil estima uma economia de cerca de R$ 50 milhões em despesas gerais e administrativas na sede localizada em Belo Horizonte. Ou seja, neste caso, o Custo BH torna a cidade mais competitiva do que Rio e São Paulo.

“Enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro gasta-se, em cada uma, 7% em média da receita líquida com despesas gerais e administrativas, aqui gastamos 5%. Somente no primeiro semestre, nossa receita líquida foi de R$ 1,3 bilhão. Estes 2% de economia representaram R$ 26 milhões”, calcula o presidente da MRV, Rubens Menin. Para o empresário, vários fatores contribuem para este resultado. “Em primeiro lugar, o custo de pessoal em BH é muito inferior ao de São Paulo ou Rio. O aluguel aqui em uma região central da cidade chega a ser quatro vezes menor se comparado a uma área bem localizada em São Paulo”, avalia.

A agilidade de locomoção também pesa na redução dos gastos. Para Menin, até a produtividade do serviço de motoboy e despachante são contabilizados. “Todo serviço que precisa de interação na rua é mais rápido”, explica. Outro ponto destacado por Menin é a menor disputa por profissionais qualificados. “A formação técnica em Belo Horizonte não deixa nada a desejar para outras capitais. Ainda temos a vantagem da menor competição no momento da contratação. Com isso, temos mais chances de absorver os melhores cérebros a um custo inferior”, avalia.

AUMENTO

Com mais de 450 agências distribuídas pelo Brasil e em outros oito países da América do Sul, a Localiza, especializada na locação de veículos, mantém em Belo Horizonte há 37 anos sua sede administrativa e descarta a possibilidade de mudanças. Já foram realizados, inclusive, estudos de viabilidade para transferir a sede para outra capital, mas a empresa foi dissuadida pelos números. “Estimamos que, para sair daqui, nossos custos administrativos aumentariam em cerca de 30% a 35%. Somente no primeiro semestre deste ano, nossos gastos nessa área foram de R$ 23 milhões. Em um ano, as despesas poderiam ser ampliadas em R$ 13,8 milhões a R$ 16,1 milhões”, calcula Roberto Mendes, CFO de Finanças e de Relações com Investidores da Localiza.

Apesar de manter em São Paulo uma forte estrutura operacional, é em BH que a empresa concentra toda a decisão administrativa. “Aqui está nosso custo de overhead com as áreas de finanças, recursos humanos, sistemas, áreas de apoio a vendas e operações”, explica Mendes. Entre os itens considerados pelo empresários como de maior peso para manter o custo da capital mineira inferior às demais, estão o aluguel e a mão de obra. “São os pontos de maior impacto. Sem contar que, aqui, não temos as desvantagens de metrópoles maiores, como o trânsito, questões de segurança e poluição”, pondera.

Produtividade duas vezes maior

Ao colocar na balança os gastos entre os escritórios mantidos em Belo Horizonte e São Paulo, Marcelo Cenni, diretor da Expertise Inteligência e Pesquisa de Mercado, não teve dúvidas e decidiu pela concentração de suas operações na capital mineira. “Até um ano atrás, tive um escritório na capital paulista já que a maioria dos meus clientes está lá, mas somente para manutenção de um espaço de 100 metros quadrados, com estrutura básica, o gasto fica em torno de R$ 30 mil”, afirma.

O ponto de apoio foi substituído por viagens frequentes à capital paulista. “Preferimos gastar esse valor em viagens para visita aos clientes. Conseguimos fazer 30 viagens ao mês somente com o valor economizado com custo de escritório. É mais vantajoso ir e voltar no mesmo dia do que manter o escritório lá. Sem contar que lá os profissionais têm que ser melhor remunerados porque tudo é mais caro”, pondera Cenni.

Um profissional graduado com quatro a cinco anos de mercado que aqui seria contratado por cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil, lá não sairia por menos de R$ 6 mil a R$ 8 mil. “O custo de alimentação é muito maior. Aqui paga-se de R$ 700 a R$ 800, lá pula para R$ 2 mil. Escola para os filhos é mais cara. Então aqui pagamos menos para ter a mesma qualidade de vida que se teria em São Paulo”, avalia.

Com um custo fixo mensal de R$ 200 mil em Belo Horizonte, Cenni calcula um salto de 30% a 50% nas despesas em especial com pessoal e locação se mantivesse a mesma estrutura em São Paulo. “Passaríamos para R$ 250 a R$ 300 mil no mínimo”, prevê. Mesmo com o aluguel em Belo Horizonte saltando 150% na última renovação, o empresário ainda vê vantagens em manter-se aqui. “Aqui o aluguel já chega a R$ 65 o metro quadrado, em São Paulo fica em torno de R$ 90 dependendo do local”, observa. Apesar de o trânsito em BH ser comparado, em alguns momentos, ao paulistano, Cenni garante que a produtividade aqui chega a ser duas vezes maior. “Conseguimos visitar de três a quatro clientes por dia enquanto em São Paulo são duas visitas e olhe lá.” (PT)

Fonte: Jornal Estado de Minas, publicado em 30 de agosto.
 


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