Área Restrita

21/07/2010

2010 já era. Novo alvo do BC é 2011

O ano de 2010 está fora do jogo, pelo menos quando se trata do rumo que os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) darão à taxa básica de juros (Selic) na reunião do Banco Central (BC), comandada pelo presidente da instituição, Henrique Meirelles, que termina hoje. A aposta majoritária do mercado é que se eleve pela terceira vez consecutiva os juros – e o principal alvo do BC, segundo analistas, é controlar a fome do dragão na economia brasileira em 2011. A briga é se a alta de hoje será de 0,5 ponto percentual (p.p) ou de 0,75 p.p. na taxa atual de 10,25% ao ano. Apesar de a inflação ter dados sinais de arrefecimento e a atividade industrial ter perdido fôlego no segundo trimestre deste ano, economistas avaliam que o descompasso entre oferta e demanda ainda não foi reequilibrado e, por isso, o aperto monetário deve continuar não só nesta reunião, como na próxima, prevista para 31 de agosto e 1º de setembro.

“É melhor o BC dar uma porrada agora e elevar em 0,75 ponto percentual a Selic do que carregar a inflação para o ano que vem. Se afrouxar neste momento, depois vai ter que continuar correndo atrás do prejuízo”, afirma o gestor da Tag Investimento, Marcelo Pereira. No entanto, a aposta dele é que o aumento seja de 0,5 p.p. por “questões psicológicas”. A meta de inflação do BC tanto para 2010 quanto 2011 é de 4,5%, com tolerância de 1,5% tanto para cima quanto para baixo. Segundo analistas, neste ano, a vaca já foi para o brejo, e dificilmente o governo vai conseguir ficar no centro da meta. “A expectativa é que fique entre o centro e a banda superior”, diz o economista-chefe da DLM Invista, Alberto Rocha.

Na última pesquisa Focus divulgada segunda-feira, o mercado sinalizou que a taxa básica de juros seria mantida em 12% ao ano e teriam mais dois apertos de 0,50 p.p. ou um de 0,75 p.p., e outro de 0,25 p.p.. “O reajuste de amanhã (hoje) ocorre com o objetivo de combater a inflação em 2011. O ideal seria dar um aumento de 0,75 p.p para acompanhar o ritmo dos indicadores e depois aguardar os próximos índices de inflação e produção industrial para mensurar a extensão de um novo aperto monetário”, explica o economista da DLM.

A prévia do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA-15), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou deflação de 0,09%, deixou o mercado praticamente fechado em um aumento de 0,5 p.p. hoje. Segundo analistas, a curva negativa é sinal da devolução do choque de preços dos alimentos que puxaram a inflação no primeiro trimestre e da retirada de incentivos fiscais, como o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre bens duráveis. A previsão é que a taxa cheia do indicador feche o ano entre 5% e 5,1%, portanto acima da meta do governo.

Normalmente, os efeitos de mudanças na política monentária começam a ter efeito no Brasil somente de seis a nove meses das alterações. “2010 está fora do alcance. O governo tem tudo para conseguir atingir a meta de inflação em 2011, mas não adianta esperar até abril para tomar novas medidas”, avalia o economista da consultoria LCA, Homero Guizzo. A previsão da LCA para a inflação em 2011 está em 4,6%, portanto um pouco acima da meta. “Tem boas chances de a projeção ser revista para 4,5%”, diz Guizzo, que aposta em um aumento de 0,75% hoje.

Para a Associação Nacional de Executivos de Finança, Administração e Contabilidade (Anefac), o BC vai elevar a taxa em 0,50 p.p.. O prejuízo para consumidor, segundo o coordenadora de estudos e pesquisas da entidade, será mínimo. “Seja qual for a elevação da Selic, terá pouco impacto nas taxas de juros das operações de crédito”, diz. “Quando a sociedade e o mercado passam a incorporar e ter a meta de inflação do governo como algo crível, permite que os consumidores e empresários tomem decisões visando um horizonte de tempo maior já que as incertezas inflacionárias diminuem”, acrescenta o professor de Economia do Ibmec, Marcus Xavier.

Fonte:Estado de Minas, publicado em 21 de julho.


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