Área Restrita

27/01/2012

Desemprego em BH em 2011 é o menor da história

Há 10 anos, você pediria demissão do seu emprego sem ter uma vaga em vista? Provavelmente, não. É simples: a taxa de desemprego ultrapassava a marca de dois dígitos e a economia bailava no ritmo de certezas e incertezas internacionais. Passada uma década, no entanto, o índice de pessoas desocupadas caiu 53,78% na Grande BH, atingindo o menor nível da série histórica, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, com isso, a resposta mudou. Aos 23 anos, a vendedora Eliane de Oliveira não teve dúvidas ao informar sua chefe que deixaria o cargo no mês que vem. Ganhando R$ 700, ela almeja salários mais altos – “Quem sabe numa loja de shopping, onde também se tem a comissão das vendas” – e carga horária um pouco menor que as 10 ou 11 horas diárias. “Ainda não olhei nada. Mas saio sem medo de ficar desempregada. Com certeza, em um mês consigo algo”, diz, otimista, Elaine, que tem três anos de experiência.

A posição da vendedora é reflexo da contínua queda da taxa de desemprego no Brasil nos últimos anos. De 2003 para cá, na Região Metropolitana de Belo Horizonte – uma das seis pesquisadas pelo IBGE –, o índice médio anual caiu de 10,8% para 4,9% no ano passado – a segunda menor, atrás apenas de Porto Alegre, que fechou o ano com 4,5% da população sem emprego. No país, a taxa anual ficou em 6%. Em dezembro, apoiado nas vendas varejistas do fim de ano, o índice na capital mineira ficou abaixo da média nacional, com apenas 3,8% de desocupação ante 4,7% nas demais áreas. Em comparação com o mesmo mês de 2010, a redução do número absoluto de desocupados é de 12 mil.

O economista do IBGE, Antônio Braz, vislumbra a acomodação do nível de emprego em todo o país, com o mercado absorvendo a população com idade para trabalhar. Nesse sentido, o que deve ocorrer é o aumento dos rendimentos da população ante certa dificuldade de contratar em alguns setores, com isso alavancando o consumo. “A demanda crescente por mão de obra causa pressão sobre os salários”, afirma Braz.

Prova disso é que a média salarial na Grande BH subiu mais que nas demais regiões metropolitanas. Enquanto na capital mineira e seu entorno o aumento foi de 4,48% no comparativo com 2010, passando de R$ 1.472 para R$ 1.538, a média nacional subiu apenas 2,71%, variando de R$ 1.582 para R$ 1.625. Ou seja, os ganhos do rendimento na Grande BH são 5,36% inferiores aos do resto do país. O fator, no entanto, não é visto como ruim pelo economista do IBGE. “Não é um problema se tem-se um custo de vida mais baixo. Pode significar qualidade de vida melhor”, afirma.

Na Grande BH, no ano passado, o destaque na criação de novas vagas foi a construção civil. Aquecido, o setor contratou 21 mil pessoas a mais do que demitiu, enquanto, ao todo, foram criados 39 mil postos, se somados todos segmentos da região. Na administração pública, defesa, educação, saúde, 18 mil pessoas a mais conseguiram ocupação, enquanto em atividades financeiras o crescimento foi de 23 mil vagas em comparação com o ano passado. “A oferta de vagas cresceu, mas num ritmo maior do que o de profissionais formados. Assim, aqueles com funções mais específicas, como pedreiro e carpinteiro, são muito visados. As empresas que os têm em seus quadros devem segurá-los a todo custo”, afirma o coordenador da unidade Centro-BH do Sistema Nacional de Empregos (Sine), Éder Ferreira. Na outra ponta, o emprego doméstico foi um dos que mais demitiram. Ao todo, 7 mil pessoas deixaram suas vagas. O dado está diretamente ligado à formalização do mercado de trabalho.

Outra consequência relacionada ao recorde de contratação é a dificuldade de contratação. Isso porque trabalhadores procuram por vagas melhores e aumentam a rotatividade nas empresas. “De galho em galho”, eles se revezam entre oportunidades. Na padaria da empresária Jane Magalhães Zarife, no Bairro Santa Tereza, a placa de contratação é praticamente decoração permanente do estabelecimento. Quando ela consegue contratar uma pessoa para o balcão, outra sai do caixa. E vice-versa. “A rotatividade é muito alta. Por isso, damos oportunidade para quem busca o primeiro emprego e até admitimos imediatamente se o perfil agradar. Mas é só passar o período de formação que eles saem ou relaxam”, afirma Jane.

Fonte: Estado de Minas, publicado em 27 de janeiro de 2012


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